quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Dia 07 de setembro, nada a comemorar

No dia da independência do país o povo brasileiro tem muito pouco a comemorar. Todas as ações do governo atual tem levado o país a uma dependência cada vez maior do exterior, a população sofre com a falta de recursos, investimentos governamentais e emprego, na política externa o país tem perdido o seu papel de destaque que havia conquistado em um passado recente.


Dia 07 de setembro é comemorado o dia da Independência do Brasil, entretanto, esse ano a população brasileira não tem nada a festejar. O atual governo tem trabalhado no intuito de deixar o país cada vez mais dependente do exterior, vendendo os nossos recursos naturais e estratégicos para empresas estrangeiras. 

Depois de vender boa parte dos poços de petróleo, gasodutos, e outros equipamentos, antes pertencentes a Petrobras e ao país, a preços muito abaixo do mercado o governo anunciou nas últimas semanas a privatização de inúmeras empresas nacionais, incluindo a Eletrobras, uma empresa estratégica para o desenvolvimento do país, haja vista que, o setor energético é essencial para o funcionamento de qualquer país do mundo. 

Para a população tudo que se tem visto são aumentos nos preços de produtos essenciais como energia, água, combustível e gás de cozinha. Para se ter uma ideia do impacto dessas mudanças realizadas pelo governo na área de energia, apenas no mês passado a gasolina aumentou 4 vezes, em mais de 10% do seu valor. Muitos aumentos também ocorreram no dísel, combustível em que o país é extremamente dependente, já que a maioria dos transportes do país são realizados através da malha rodoviário, portanto, esses aumentos no valor do dísel influenciarão no preço de todos os produtos nacionais no futuro.

No campo social a população sofre com a política neoliberal adotada pelo governo que como resultado só tem trazido desemprego, falta de recursos e de investimentos em todas as áreas sociais como saúde, educação, segurança e assistência social. Nessa última área há um déficit na assistência através do bolsa família de mais de quinhentas mil pessoas, pois o governo federal não tem autorizado ou tem reduzido a velocidade na concessão desse benefício. Com essas ações retirando direitos dos mais pobres a fome e a pobreza depois de muito tempo tem voltado a aparecer na sociedade. Em 2014 o país saiu pela primeira vez do mapa da fome, um mapa desenvolvido pela Organização das Nações Unidas, através de dados estatísticos em todos os países do mundo. Agora o país está prestes a voltar para esse mapa. O número de moradores de rua também aumentou substancialmente nos últimos meses, afetando, inclusive aqueles que já haviam ascendido para a classe média durante os últimos anos e com isso a violência também tem aumentado. 

Em meio a todos esses problemas a economia do país definha, PIB muito abaixo da previsão, deficit público muito superior ao programado, entre outros dados negativos que só demonstram que o caminho seguido na política econômica do atual governo está errado. 

Na política externa o país perdeu os espaços diplomáticos que tinha conquistado nos últimos anos, o qual tinha um certo protagonismo no cenário internacional e atualmente exerce o papel de mero coadjuvantemente. No mundo o que se vê de notícias com relação ao Brasil é a corrupção assombrosa que tomou conta das nossas instituições, especialmente, as políticas, o que tem reduzido a confiança do mundo com relação ao país, diminuindo nossos investimentos estrangeiros. 

As instituições brasileiras estão desacreditadas e após a ruptura institucional os poderes instituídos começaram a buscar cada vez mais espaços e defender mais os seus interesses do que cumprir o seus papéis institucionais. O executivo tem feito de tudo para se manter no poder, comprando inclusive deputados com emendas parlamentares em um momento que os recursos do país estão escassos. Os deputados tudo que querem é aumentar os seus recursos para abastecer as suas campanhas no ano que vem, e para isso se vendem, trabalhando com esse governo que hoje tem uma popularidade mínima, sem dar a mínima satisfação quanto a não representação dos interesses do povo que os elegeram. O poder judiciário só quer aumentar o seu espaço de atuação, inclusive, agindo como um órgão mais político do que jurídico, mantendo as suas regalias, inclusive de forma inconstitucional, no momento em que decidem receber salários acima do teto previsto na Constituição. O poder que deveria ser o guardião da carta magna e lutar para que ela fosse respeitada é o primeiro que a contraria já que não cumpre um dos seus preceitos que define que ninguém deve receber salários maiores do que os do Ministro do Supremo Tribunal Federal. 

Sem instituições respeitadas e que se dão ao respeito a população fica atônica a cada escândalo de corrupção, sem saber a quem recorrer em um país que a impunidade e a corrupção, normalmente, prevalece. Nesse mês foi apreendido mais de 51 milhões em dinheiro vivo no apartamento de um dos políticos mais influentes do atual governo, Geddel, e nada se fala quanto a uma possível punição desse político nos meios de comunicação, que também estão ligados a essa oligarquia que está destruindo o país. 

A esperança é a última que morre, só espero que não consigam matar o nosso país antes da nossa esperança, pois a expectativa do povo quanto a um futuro melhor está em níveis cada vez menores por pate da população. Talvez nossa última esperança de mudança desse cenário seja em 2018 nas próximas eleições. Que o povo mude os nossos representantes e o perfil dos mesmos. Que os corruptos não estejam no poder após o próximo pleito e que o país possa rumar novos caminhos, só assim, poderemos no futuro comemorar a independência desse país tão rico, grande e importante, que está sendo destruído pelos seus representantes que não representam os anseios do povo e pelas instituições que não cumprem mais o seu papel.

Anderson Silva