terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A quem interessa o sigilo das delações da Odebrecht?

Certamente aos maiores corruptos da história do país que terão a condição de se articularem para evitar uma prisão futura sem serem incomodados pela população. A justiça brasileira novamente presta um desserviço ao país atendendo novamente aos interesses de poucos em detrimento de muitos da nossa população que querem transparência e uma verdadeira Justiça nas suas ações e atos


Após a morte trágica do ministro Teori Zavascki, a Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carmen Lúcia decidiu homologar as delações dos executivos da Odebrecht ainda no período de recesso que vai até o dia 31/01/2017, entretanto, declarou sigilo a todas essas delações, não sendo repassado nenhuma informação do seu conteúdo para a população e meios de comunicação. Quem são os maiores beneficiados com essa ação? 

Além dos principais corruptos do país que encontram-se nas delações, certamente o governo atual, cujo o presidente Michel Temer foi citado juntamente com os seus principais ministros e a maior parte de sua base de apoio no Congresso. Os principais candidatos a presidência da câmara e do Senado que também estão citados nas delações e saem como grandes beneficiários do sigilo definido pela Ministra Carmen. Não é atoa que o planalto recebeu com "alivio" a notícia de que as delações foram homologadas mas que o sigilo das mesmas foi mantido.

A justiça no Brasil parece ter um "timming" próprio nas suas ações que sempre vai contra os interesses da população e a favor dos interesses de corruptos e das classes empresariais desse país. A abertura do processo para acesso da população nesse momento poderia evitar erros que tem sido cometidos nas morosas investigações do STF que por não ter julgamentos rápidos e eficientes têm levado corruptos a assumir os principais cargos do país. Além disso, a abertura dos processos evitaria a ocorrência de futuros vazamentos seletivos demonstrando a população o que realmente ocorreu na Petrobrás e nas demais empresas do país com transparência e equidade. Mas a justiça prefere trabalhar em um "timming" próprio alheio a todos os interesses do país.

O que boa parte da população não sabe é que amanhã e depois teremos as duas eleições mais importantes da política nacional dos próximos anos, que será a eleição para presidente da Câmara e do Senado Federal. Esse candidato eleito será o responsável direto por definir toda a pauta de projetos a serem aprovadas por sua casa legislativa, tendo o poder monocrático, de definir, praticamente, todo o andamento político da nação até 2019. Esse individuo certamente será eleito tendo citações  e provas de sua participação nos escândalos da Petrobrás nas mãos da Ministra Carmem Lúcia e do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, que hoje se mostrou também favorável a manutenção dos sigilos. Ou seja, a justiça sabe dos crimes cometidos por esses políticos e deixará novamente que eles sejam eleitos para um dos cargos mais importantes do país a exemplo do que fizeram quando deixaram Eduardo Cunha e Renan Calheiros serem eleitos presidentes das nossas casas legislativas com seus processos arrastando por anos no STF.

Com essa ação da presidente do STF, esse poder da república mostra mais uma vez ter lado, que não é o do povo, da justiça e dos interesses nacionais. Uma justiça imparcial e que defende os interesses de seu povo deveria buscar a transparência, a impessoalidade, a moralidade a redução da corrupção, enfim, um país mais justo e igualitário. Entretanto, a justiça brasileira nos últimos anos tem se mostrado o contrário desses princípios e interesses sendo em suas ações seletiva, ator mais político do que jurídico e defensor das oligarquias nacionais, em grande número, formada por corruptos comprovados. 
Nesse momento o leitor pode pensar: "mas prenderam o Eike." Quem é Eike no cenário atual e político do nosso país? Esse cidadão brasileiro já teve representatividade, já teve importância, mas com seus investimentos mal realizados hoje não passa de um coadjuvante, usado hoje pela justiça para desviar o foco do que realmente deveria interessar para a população que são as delações da Odebrecht, a morte ainda não explicada de Teori Zavascki e as eleições da Câmara e do Senado que definirão as nossas vidas pelos próximos muitos anos.

Se nenhum dos poderes respeita a Constituição Federal e agem para que o nosso país continue na mesmice atolado na lama da corrupção e administrado pelos maiores corruptos desse país, não há nada mais a se fazer a não ser acreditar que o nosso futuro está perdido.

Anderson Silva

Leia mais sobre a justiça brasileira no post: COMO ESFACELAR UM PAÍS EM UM ANO -