quinta-feira, 16 de março de 2017

A greve geral do dia 15 de março, um dia histórico!

Foi maior do que o esperado! O povo ontem demonstrou que não está nada satisfeito com as propostas de reforma da previdência e da reforma trabalhista que tramitam no Congresso. Segundo organizadores, os atos em todo o Brasil levaram mais de um milhão de pessoas as ruas.


O povo saiu as ruas ontem, dia 15 de março, contra o governo Michel Temer e suas propostas de Reforma da Previdência e Reforma Trabalhistas que vão impactar profundamente a vida classe trabalhadora em todo o país caso sejam aprovadas.

Para os organizadores, apenas na Avenida Paulista estavam presentes mais de 200 mil pessoas, sendo aproximadamente 50 mil deles professores, que serão os maiores afetados pela reforma, pois perderão o direito a aposentadoria especial. Na cidade de Belo Horizonte os organizadores estimam que estiveram presentes no ato mais de 150 mil pessoas. No Rio de Janeiro mais de 100 mil estiveram presentes para demonstrar a sua insatisfação contra as propostas do governo, no Nordeste a participação popular foi expressiva em todas as capitais da região, sendo essa a maior manifestação organizada no Brasil após a queda de Dilma Rousseff há quase um ano.


Boa parte das capitais pararam os serviços públicos como transporte, atendimentos básicos de saúde, escolas e o ato teve adesão também de trabalhadores da rede privada em várias cidades, especialmente, no âmbito da educação e do transporte.

A mobilização, certamente, foi maior do que o esperado pelo governo e pelos parlamentares, que a partir de ontem, ficarão um pouco mais receosos em aprovar os projetos da forma que foram enviados pela presidência, já que esse ano é vespera das eleições parlamentares de 2018.

O recado deixado pela maioria dos participantes dos atos é que quem votar pela reforma não será reeleito. Nas manifestações do interior do Estado de Minas Gerais, como na cidade de Teófilo Otoni, que reunião mais de 3 mil pessoas na principal praça da cidade, os nomes dos deputados mineiros, mais votados na cidade, foram colocados em cartazes com as suas fotos, demonstrando que o voto contra o povo nas reformas certamente trará como resultado a perda do cargo de parlamentar nas próximas eleições.

Um movimento mais sindical e popular

Um dos grandes diferenciais do Ato do dia 15 de março foi a participação e organização mais incisiva das entidades sindicais, que demonstravam uma certa desarticulação no decorrer dos últimos anos, mas se uniu de forma coesa em torno da pauta contra a Reforma da Previdência. No decorrer do evento muitos cartazes foram espalhados, falas foram realizadas no intuito de esclarecer a população sobre os impactos que estas propostas poderão gerar aos trabalhadores.

A CUT, maior Central Sindical do país, já colocou que não aceitará essa Reforma que obriga os trabalhadores a contribuir mais, por mais tempo, recebendo menos quando se aposentar. Os movimentos sociais também estiveram presentes em grande número para reivindicar que os direitos sociais e trabalhistas sejam mantidos.

A participação de Lula

Lula, primeiro nas intenções de votos para as eleições presidenciais de 2018, esteve presente e foi ovacionado na Avenida Paulista, palco do maior ato do país. Na sua fala criticou as ações tomadas pelo governo que na sua visão só retiram direitos dos trabalhadores, criticou a política econômica que novamente retirou os pobres do orçamento causando o monstruoso desemprego que o país vive atualmente, a política externa e a venda de ativos dos brasileiros.

Como mensagem final do seu discurso deixou claro que o povo só vai parar de manifestar quando um governo for eleito democraticamente no Brasil.

O que está por vir

Nas próximas semanas o governo tentará articular a sua bancada no Congresso para aprovação dos dois projetos o da Reforma Trabalhista e o da Reforma da Previdência o mais rápido possível.

Na reforma trabalhista, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, tenta usar um artificio do regimento interno da câmara que possibilita que a reforma seja aprovada sem passar pelo plenário da casa. Mas, a oposição formada pelos partidos mais ligados a classe trabalhadora PT, PcdoB, PSOL, PDT e Rede, afirmam que podem recorrer ao STF, caso Maia insista em utilizar essa manobra.

Com relação a Reforma da Previdência, alguns parlamentares e partidos da base aliada do governo Michel Temer como PMDB, PSB, Solidariedade, entre outros, já começam a dar sinais de desgaste da proposta, afirmando que da forma que está ficou muito pesada para os trabalhadores. Ontem Renan Calheiros do PMDB no Senado, afirmou que o governo já inviabilizou a reforma da previdência, essa fala foi após os atos, quando os deputados discutiam a possibilidade de colocar em regime do urgência a votação que praticamente inviabiliza a greve para servidores públicos, que ao final da seção foi arquivada. Rodrigo Maia afirmou que da forma que a proposta foi enviada pelo Presidente Michel Temer ao Congresso dificilmente passará e que alguns pontos terão que ser flexibilizados para a sua aprovação.

É importante que o povo fique atento e em caso de necessidade volte a mobilizar o país contra essas reformas. Uma vez que elas sejam aprovadas, certamente, não teremos condições parlamentares para reverte-las no futuro, portanto, o momento de evitar o retrocesso é esse. Os cidadãos devem pressionar os deputados de sua região, os partidos políticos que apoiam a reforma e indicar para eles que serão inviabilizados nas próximas eleições caso essas reformas sejam aprovadas no Congresso.

Anderson Silva