quinta-feira, 11 de maio de 2017

O encontro de Lula e Moro

Mesmo com a grande mídia tentando demonstrar que foi algo sem maior importância o avanço de Lula em sua defesa no embate com Sergio Moro e o número expressivo de presentes em Curitiba para apoiar Lula, por verificar uma certa vantagem de Lula no depoimento realizado, ficou claro para quem assistiu o depoimento que falta materialidade e provas no processo


No dia 10/05/2017 ocorreu o tão esperado interrogatório do ex-presidente Lula em Coritiba. O depoimento colocou finalmente o juiz Sérgio Moro e o ex-presidente Lula frente a frente, fato muito esperado pela mídia e pela população brasileira, devido a uma espetacularização dos processos ligados a Lava Jato, realizado, principalmente, pela mídia durante os últimos anos.

Mesmo a televisão tendo dado destaque durante todo o dia para o evento, o que se viu nos jornais televisivos, especialmente ligados a globo, principal apoiador da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, foi a tentativa de criminalizar as falas de Lula e qualificar as questões desenvolvidas pelo juiz. Nada que não fosse esperado! Nos principais jornais impressos do Brasil, com opinião claramente contrária a Lula durante os últimos meses, o que se viu no dia seguinte ao depoimento, foi a tentativa de criminalizar moralmente as falas de Lula sem colocar as suas falas no contexto abordado durante o depoimento, dizendo que Lula colocou a culpa pelas negociações em Marisa, já falecida, fato que não ocorreu no decorrer do depoimento.

No depoimento propriamente dito, o que se viu na verdade foi Lula muito preparado, respondendo as questões de forma muito direta e séria, colocando o juiz, o ministério público e a polícia federal em situação desconfortável, quando pedia provas que comprovassem que o imóvel pertencia a ele.

Provas essas, que ao final não foram apresentadas. Entre os documentos utilizados como indícios de que o aparentemente pertencia a Lula, foram apresentados diversos documentos sem assinatura, que, obviamente, não deve possuir nenhuma validade jurídica. E como resposta o ex-presidente devolvia esses documentos ao juiz, afirmando que se não tinha assinatura, não tinha validade.

O processo é claramente muito fraco de comprovações e não há nenhum documento juridicamente reconhecido que possa comprovar que Lula é o proprietário do imóvel conforme está sendo acusado.

Com relação aos encaminhamentos restantes do processo, acredito que Lula será condenado ao final do processo. Mesmo sem provas e materialidade, a Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e as mídias foram longe demais no processo de criminalização de Lula e não tem mais a possibilidade de voltar atrás e não condená-lo. Em uma situação normal, a justiça deveria trabalhar em cima de provas materiais e das regras jurídicas. Mas, como estamos em um Estado onde a justiça tem extrapolado as suas fronteiras constantemente, especialmente quando se trata de processos relacionados a Lava Jato, certamente Lula desde que o processo foi aceito já estava condenado. Para a mídia isso é claro e a Globo pressiona para que essa condenação se dê o mais rápido possível, dando até prazo para que Moro condene Lula. Nos jornais da Globo News foi colocado em diversos momentos que a sentença deveria sair entre julho e agosto. Como a Globo foi o grande patrocinador da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, esse tipo de pressão tem um forte significado, o prazo de Sérgio Moro está acabando ou ele condena Lula rapidamente ou o apoio da globo será perdido.

A sentença saindo nessa data, uma sentença rápida como é de praxe nos processos que estão nas mãos de Moro, será importante para os objetivos da Globo, que não quer ver Lula como candidato em 2018. Saindo uma condenação dele nesse prazo, esse processo iria para a instância superior e Lula poderia ser condenado em segunda instância ainda antes de iniciar a campanha eleitoral de 2018, se tornando inelegível, grande objetivo da Globo e da Lava Jato, como tem se mostrado de forma cada vez mais clara nos últimos tempos.

Para Lula é importante continuar o seu trabalho na parte política, mobilizando a população para lutar contra as perdas de direitos trabalhistas, previdenciários e também a favor da democracia. Haja vista que, conforme a sua leitura, a investigação contra ele é meramente política, assim como as suas condenações certamente também serão. E se a justiça quer trabalhar de forma política, esse campo para Lula é muito interessante, já que ele é especialista nessa área. Enquanto a justiça utiliza a mídia para ganhar influência política em uma eventual condenação de Lula o que Lula deve fazer é utilizar a sua influência política sobre o povo para fazer um efeito contrário e, assim, no final, saberemos quem é o mais forte, o povo ou o consórcio jurídico-midiático.

Um processo normal que pudesse trazer um julgamento justo de Lula deixou de ser possível quando a justiça se uniu a mídia para condená-lo. Acharam certamente que seria fácil. Mas Lula ao levar a disputa para o campo político, complicou o processo de condenação e conseguiu demonstrar que era alvo de perseguição política e, assim, certamente, igualou, em partes, as forças, fazendo com que vivêssemos em um confronto direto entre essas forças antagônicas. Lula demonstrou ontem que tem uma maioria a seu favor nas manifestações de rua com a presença de mais de 50 mil pessoas para apoiá-lo vindos de diversos lugares do país, contra aproximadamente 50 manifestantes a favor da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro, outro ponto ocultado pelas mídias televisivas e pelos jornais impressos da grande mídia. A popularidade de Lula e suas intenções de voto para as eleições de 2018, demonstram que ele tem a maioria ao seu lado, mas a mídia e a justiça possuem muito poder e força de mobilização.

Apenas em 2018 saberemos quem saiu vencedor nessa disputa. Entretanto, o perdedor nós já sabemos é o Brasil. Justiça não pode trabalhar com a mídia para derrubar qualquer pessoa que seja e sim deve trabalhar de forma imparcial e cumprindo os preceitos técnicos de um processo jurídico. E um político não deveria ter a necessidade de mobilizar a população para o defender de uma condenação, o qual, se não reagisse dessa forma, certamente a sua condenação ocorreria de forma arbitrária e sem provas, assim como ocorreu com outros políticos que tinham a sua linha ideológica, ou seja, eram de esquerda.

Ao condenar Lula sem provas para impedi-lo de candidatar para as eleições de 2018 a justiça brasileira está perdendo toda a sua credibilidade e ao mesmo tempo afetando toda a credibilidade das instituições brasileiras perante os organismos, países e investidores estrangeiros. As notícias que não saem aqui no Brasil, porque, a mídia aqui é parcial, saem para o resto do mundo da forma em que o fato se apresenta, ou seja, no mundo, as pessoas sabem que não há provas contra Lula e que ele, caso seja condenado, será por questões políticas para impedi-lo de ser candidato e possivelmente eleito em 2018. Após o depoimento muitos jornais estrangeiros deram destaque a uma possível perseguição política realizada pela justiça contra Lula. 

Um país para ser respeitado precisa ter creibilidade e estabilidade política. Além disso, precisa ter instituições jurídicas respeitadas, fortes, independentes e com credibilidade. O Brasil de hoje, internacionalmente, não tem respeito. Os países não recebem o nosso atual presidente e quando o recebem esse não tem credibilidade e, por isso, o Brasil e as empresas brasileiras perdem muitos investimentos internacionais. Com essa decisão de condenar um ex-presidente para que ele não dispute as eleições estaremos perdendo também o respeito pelos nossos órgãos jurídicos e consequentemente as demais instituições nacionais, e assim, estaríamos condenando todo um país ao descrédito por muitas décadas. Entretanto, os responsáveis por esse país e por suas instituições mais importantes parecem não ligar para isso. Se esse é o preço a ser pago para não ver Lula como presidente mais uma vez, que se pague. Quem sofrerá as consequências não são eles que têm cargos com salários de marajás, regalias, e estabilidade de emprego, quem sofre com isso é o povo que será condenado ao desemprego a pobreza e a auto-destruição do seu país pelas próximas décadas!

Anderson Silva