quinta-feira, 25 de maio de 2017

Governo X Povo

Um presidente ilegítimo e perdido, um congresso formado em sua maioria por corruptos e um judiciário em sua essência anti-povo jamais conseguiriam resolver de forma eficiente a crise, pois, eles são a crise.


Boa parte da sociedade brasileira percebeu tarde demais que o Congresso Nacional jamais poderia resolver os problemas do país, pois é ele o principal problema do Brasil. Quando sabotaram a presidente eleita Dilma Rousseff por meses para que ela não conseguisse governar, os nossos congressistas, não estavam lutando contra a presidente e sim contra o Brasil. Mas isso pouco importava naquele momento, como pouco importa agora, eles nunca gostaram do Brasil e nunca fizeram questão que esse país fosse um país de todos. Desde que seus interesses fossem atendidos, nada mais importa e o povo é nesse caso um mero acessório, valorizado apenas no momento do voto, que de tão desprezado durante todos esses anos, não consegue compreender que a política tem lado e se torna facilmente manipulável pelos seus algozes no momento das eleições.

Com a queda da presidente Dilma a população do país aos poucos começou a perceber que o problema da corrupção era sistêmico, e, nesse sentido a Dilma foi afastada por um Congresso constituído em sua maioria por corruptos, a começar pelo presidente que aceitou o processo, Eduardo Cunha, que encontra-se preso pela Lava Jato. A gravação de Romero Jucá, naquela altura, Ministro de Temer, falando de um grande acordo Nacional com Supremo Tribunal Federal (STF) e tudo, parecia naquele momento ser apenas uma conversa informal, mas passo a passo do que ele descrevia foi se mostrando real, como se a profecia dele, naquele momento, fosse parte de um planejamento perfeito em que tudo o que ocorreria após o plano ser colocado em prática já estava previsto.

No decorrer do tempo foram caindo ministros em escândalos de corrupção, o desemprego só aumentava, as reformas anti-povo se tornavam mais intensas, a economia não cresceu, os déficits públicos se tornaram recordes e a maioria da população brasileira começava a perceber que o presidente Michel Temer não entregava nada do que foi prometido antes do Impeachment e, ao contrário disso, só retirava direitos dos trabalhadores.

Com isso vieram as maiores greves gerais da história do país e uma queda vertiginosa da popularidade de Michel Temer que mesmo assim conseguia se manter no poder votando medidas que retiravam direitos trabalhistas e previdenciárias sem nenhum desconforto. Quando enfim estourou um escândalo com participação direta do presidente em uma negociação com a JBS para que pagamentos fossem efetuados para Eduardo Cunha se manter calado na prisão e não realizar o acordo de delação premiada que poderia afetar o seu governo. Era talvez o início do fim de um governo que jamais deveria ter iniciado, pois, nesse momento, se iniciava a mudança de lado da maior emissora do país, a rede globo, que antes era defensora fiel da manutenção de Temer e depois desse episódio se tornou aguerrida oposição ao mesmo. Mas essa mudança de postura da globo não se deu por acaso e sim porque a emissora tem fortes interesses por trás da queda de Temer. A globo assim como os grandes empresários brasileiros pretende colocar um governo que continue com as reformas anti-povo que, na visão da emissora, após esse escândalo Temer não teria mais condições de realizar.

Com esse escândalo vieram as reações populares através de grandes manifestações pedindo a saída de Temer e eleições diretas, esse ultimo rechaçado pelos donos dos meios de comunicação, pelos políticos de direita, que são a maioria em nossas casas parlamentares, e pelos grandes empresários brasileiros que querem lucrar cada vez mais as custas dos direitos perdidos pelo povo trabalhador nas reformas em discussão no parlamento. O povo não deve ter o poder de decidir mais, na visão deles. O poder não deve emanar do povo como diz a constituição e sim dos seus representantes claramente envolvidos em corrupção conforme as investigações têm demonstrado.

Como resolver esse impasse? Se estivéssemos em outro país mais desenvolvido politicamente e socialmente, com um sistema político que pensasse nos interesses do país e que buscasse uma estabilidade política e social, fatores fundamentais para a retomada do crescimento nacional, a proposta mais viável seria entregar o poder ao povo através de eleições diretas. Entretanto, vivemos no Brasil onde os políticos só querem defender os seus interesses e manter suas regalias não importando se o país esta sangrando por falta de crescimento econômico devido as sucessivas crises causadas por suas escolhas irresponsáveis. Como eles sabem que quem sofre todos os impactos da crise econômica é o povo com desemprego e pobreza, eles, em seus jatinhos e com todas as regalias mantidas, pouco se importam com a crise. Como disse o próprio presidente no começo de seu governo: - Não pense em crise, trabalhe! Como se houvesse trabalho nesse cenário horroroso em que esse governo colocou o nosso país.

Como tenho deixado claro em todos os meus últimos posts, pois isso deve ser compartilhado entre a sociedade brasileira, que precisa compreender a importância do seu voto e mudar a sua forma de votar, pois só assim conseguiremos alguma mudança real para o nosso país, um governo deve ser sempre compreendido como uma junção de ações do poder executivo, presidente, legislativo, deputados e senadores, e judiciário. Esses três poderes do pais depois da ruptura institucional se mostraram completamente anti-povo propondo, votando e decidindo questões sociais sempre visando vantagens para as classes mais favorecidas em detrimento de perda de direitos da população mais pobre.

Com esse modelo de ação adotado por esses três poderes, esses grupos de poder não vão querer um governo que possa adotar políticas que coloque os direitos sociais em pauta visando o aumento desses direitos, já que a ruptura se deu exatamente para combater esse modelo de política social implementada durante os treze anos de governo do PT. Por isso, essas forças certamente lutarão de todas as maneiras possíveis para evitar que o povo tenha voz nesse momento, ou seja, que haja eleições diretas. Isso ficou muito claro nas grandes manifestações de ontem em Brasília que contou com a participação de mais de 100 mil pessoas ligadas aos movimentos sociais e sindicais e foram fortemente reprimidos pela polícia militar do Distrito Federal e o presidente Michel Temer autorizou o uso do exército para manter a lei e a ordem, fato que não ocorria desde 1984 na ditadura militar.

Quem vai resolver o problema e colocar ordem no Brasil? Nesse momento no campo político tão polarizado como o atual, temos poucos nomes que poderiam realizar um processo de apaziguamento das ideologias contrárias existentes no país. O processo de polarização insuflado pelas mídias televisivas levou o Brasil a uma polarização tão intensa que durante muitos anos certamente teremos dificuldade de manter um sistema político em funcionamento e com uma harmonia entre os poderes e a população. Essa falta de harmonia entre os poderes gera incertezas, crises constantes e mais perda de recursos de investimentos por parte do país afetando a sua arrecadação, consequentemente capacidade de investimento em infraestrutura e políticas públicas, em síntese, o seu crescimento. As perspectivas não são as melhores para o nosso futuro.

Entretanto, nesse tipo de situação, o melhor a se fazer é colocar o povo para decidir o seu futuro e essa ação se daria apenas através de eleições diretas, uma consulta popular, viabilizada por um Projeto de Emenda Constitucional, que possibilitasse uma participação popular na definição de seu futuro. Outra possibilidade seria um acordo nacional entre as forças políticas existentes, visando a criação de um governo, provisório até as eleições de 2018, mas com o compromisso de não realizar nenhuma grande reforma nesse período e trabalhar de forma harmônica entre os grupos de interesses nacionais. Cancelando as principais reformas em andamento, trabalhista e previdenciária momentaneamente, até a posse de um novo governo legitimado pelo provo. Certamente com essa ação teríamos uma maior estabilidade política no país.

É uma pena que os nossos representantes legais, principalmente no legislativo, não representam o povo e dificilmente tomarão alguma dessas decisões, pois, isso vai contra os seus interesses e os interesses dos mais ricos aos quais eles representam de forma real. Como eles, os congressistas, têm o poder de decisão, o povo sempre ficará para o segundo plano, lutando para a manutenção de seus direitos recebendo sempre bombas e balas em suas manifestações, enquanto os políticos corruptos continuam a saquear, destruir o nosso país, o nosso futuro e o futuro das próximas gerações. Uma mudança só será possível se a população escolher representantes no Congresso que realmente sejam defensores dos seus direitos e interesses. Que isso seja logo, espero que já em 2018! 

Anderson Silva