quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Uma imagem vale mais do que mil palavras


Enquanto pessoas lutam por direitos fora do Congresso, são bombardeadas e violentadas pela polícia, congressistas participam de um coquetel na câmara e tiram fotografias aos risos perante a violência


O Congresso mais uma vez mostra que não está nem aí para os seus representados. Se antes eles pensavam em fingir para o povo que os agradavam para obter os votos na hora das eleições, agora eles já não ligam mais e ainda se divertem ao ver o povo ser violentado lutando por direitos que esses mesmos congressistas estão retirando. 

A foto ao lado representa bem a distância dos nossos Congressistas e representantes do governo atual para do povo que os elegeu. Enquanto eles fazem jantares pagos pelo povo para aprovar medidas que retiram recursos dos que pagam impostos para repassa a banqueiros e investidores, agora a bola da vez foi a realização de um coquetel para eles enquanto bombas eram jogadas contra a população. 

Isso mostra que o povo não sabe eleger representantes, não entendem nada sobre o processo político e não conhecem a sua própria história. É impressionante como as pessoas podem escolher pessoas tão mal qualificadas para os representar. É impressionante como pessoas podem escolher um congresso com mais de 50% de parlamentares envolvidos em processos de corrupção. É impressionante como um povo consegue eleger um congresso tão conservador, elitista e destruidor de direitos como esse [congresso].

Há muito tempo eu tenho plena convicção de que os nossos governantes têm direitos demais, poderes demais e responsabilidades de menos. Normalmente, ninguém cobra deles a atual situação em que o país se encontra, focalizando as suas críticas no executivo, mas na verdade, quem entende o processo político, a forma como ele funciona e está próximo ao que acontece no Congresso sabe que os principais responsáveis pela situação econômica do país atualmente é o Congresso. O parlamento é que define as principais pautas e projetos do país e, no momento em que o país mais precisava deles, de forma irresponsável, apostaram na política do “quanto pior melhor”, aprovando pautas-bombas que aumentavam os gastos do país no momento que estes precisavam ser controlados para que o país pudesse sair da crise. Isso derrubou a presidente da República naquele momento, mas deixou estragos na nossa economia que estão presentes nas contas públicas até hoje e o governo atual não consegue resolvê-los.  


A cena de ontem só mostra e exemplifica mais um pouco essa distância, falta de compromisso e compaixão com aqueles que mais necessitam do Estado, daqueles que, segundo a Constituição deveriam ter o poder, mas que, na verdade, não possuem poder nem sobre as suas escolhas, já que os seus representantes são mais escolhidos pela força do dinheiro do que sobre qualquer outra coisa. Mostra que são eles com seus coquetéis e jantares, contra nós, povo trabalhador e sofrido que luta pelo pão de cada dia ganhando um salário mínimo e que trabalha dignamente para poder ter o seu ganha-pão adquirido com seu suor.

Enquanto esse povo mais humilde e carente do Estado não entender a importância do processo político, não compreender a importância de conhecer a sua história e do seu país, as origens de sua classe e quem defende os seus reais interesses, não teremos uma perspectiva de termos um congresso com representação popular real e que mude substancialmente os parâmetros sociais do Brasil e de seu povo. Antes de tudo, o povo precisa possuir uma cultura política e social, compreender os seus direitos, o seu poder para fazer com que ele se efetive. Esse é o primeiro caminho para a verdadeira instalação de uma democracia representativa real na nossa sociedade. Lotar o nosso Congresso de povo para representar os verdadeiros interesses do povo, que corresponde a mais igualdade social, igualdade de oportunidades, mais investimentos em saúde, educação, assistência social, infraestrutura, entre outros aspectos, exatamente aqueles afetados pela PEC 241, no senado 55, e que, o povo lutava lá fora enquanto os congressistas alheios aos seus interesses, eleitos por aquele povo, vibravam lá dentro e tiravam fotos aos risos do sofrimento a ser repassado ao povo pelos próximos 20 anos por essa “PEC da morte”. 

É isso que eles propõem, distância e morte ao povo que os elegem. A saúde hoje encontra-se em situação precária e ainda querem retirar mais recursos dessa área. O que isso representa senão a morte daqueles que não conseguem pagar por um sistema particular de saúde? 

Às vezes fico me perguntando, de quem é a culpa por chegarmos à situação atual. E a resposta começa a aparecer quando vemos quem os elegeu. O povo brasileiro é conservador, retrógrado, e muitas vezes anti-povo. Somos um grupo de pessaos tão sem cultura e formação política de base que não conseguimos nem nos organizar e nos fazermos representados em nossas casas legislativas. Somos a maioria, mas na hora que nossos interesses estão em jogo fazemos papel de ninguém. Por que isso? Nesse ponto não encontro respostas. Mas ainda tenho a esperança de que um dia a utopia vire realidade, que a teoria democrática se torne prática, e, que o povo finalmente acorde e lute verdadeiramente pelos seus direitos e cobrem daqueles, de forma incisiva, que representem os seus interesses e não interesses antagônicos aos da maioria da população. Só espero estar vivo para ver esse dia! 

Anderson Soares