sábado, 8 de julho de 2017

Reforma Trabalhista: O que será do país após essa reforma?

Os que hoje apoiam a Reforma Trabalhista, certamente, serão diretamente impactados por ela. A classe trabalhadora perderá os seus direitos trabalhistas e a sua renda. A classe média perderá os consumidores dos seus produtos e consequentemente o retorno sobre seus investimentos e a classe burguesa perderá no futuro com a queda da atividade econômica do país. 


A classe burguesa e parte da classe média do Brasil está forçando o nosso legislativo a empregar contra a classe trabalhadora uma Reforma Trabalhista que retirará inúmeros direitos dos profissionais brasileiros. A lei permite até mesmo uma negociação entre patrão e empregado que esteja acima do que a lei prevê, ou seja, a regra do “combinado sobre o legislado”. 

Como atualmente temos um número grande de desempregados, nesse tipo de negociação os trabalhadores tendem a sair perdendo, já que o número de pessoas a procura de emprego é enorme e caso um trabalhador não aceite as regras colocadas pelo patrão o que ele fará é contratar alguém que aceite a negociação benéfica para sua empresa.

O que isso gerará de imediato? Logo após o início de sua implementação os empresários sejam eles grandes e médios terão uma sensação de que a lei foi extremamente positiva, pois, poderão aumentar os seus lucros as custas dos trabalhadores, que terão que aceitar aquilo que o patrão o oferecer, inclusive, salários mais baixos do que recebia anteriormente. Entretanto, com o tempo passando, haverá uma queda generalizada na renda dos trabalhadores o que tenderá a gerar uma queda na massa salarial do país. Quanto menor a massa salarial, menos tende a ser o poder de consumo da classe trabalhadora, o que gerará uma queda na atividade econômica de forma geral.

Isso a médio prazo trará fortes impactos na vida financeira da classe média, que começará a não ter retorno sobre os seus investimentos no comércio, em aluguéis e outros bens, que já são sendo impactados com a crise de demanda atual. A longo prazo essas ações recessivas tendem a trazer impactos ainda maiores. Com menos recursos a classe média fará menos investimentos, contratarão menos pessoas gerando aumento do desemprego e a alimentação de um forte ciclo recessivo. 

A classe burguesa também tende a perder com todo esse processo. Exceto os banqueiros que tendem a lucrar nos períodos de crise, as classes que dependem do comércio e de bens de consumo, tendem a ficar com os seus produtos encalhados, não tendo condições de fazer novos investimentos, gerando uma queda também nos seus níveis de lucratividade e ainda mais desemprego. 

A redução de direitos trabalhistas tende a gerar apenas prejuízos a longo prazo para uma sociedade, já que tende a trazer consigo a perda da massa salarial, responsável pela movimentação da economia no mercado interno. O Brasil sofre ainda mais as consequências de ações nesse sentido por possuir um mercado interno enorme e ser muito dependente dele. Na crise de 2008 por exemplo, foi graças ao mercado interno e o aumento da renda dos trabalhadores que saímos da crise naquele momento com maior eficiência. Hoje as ações recessivas, empregadas pelo Governo Temer a pedido do mercado, têm prometido certos resultados, mas só tem gerado resultados contrários: aumento do desemprego, queda na renda dos trabalhadores, queda na atividade industrial e do consumo, redução do nível de investimento, quedas no PIB nacional, redução da arrecadação governamental, aumento do deficit público, consequentemente redução do investimento nacional e todo um ciclo recessivo que nessa semana trouxe como resultado a maior deflação da série histórica do Brasil desde 1998, certamente, impactado pelo alto índice de desemprego, cenário muito parecido com o que vivianos naquele período de grave crise econômica nacional e alto desemprego. 

Foi o que a implementação de uma política neoliberal trouxe ao nosso país em dois períodos recentes, no período de Fernando Henrique Cardoso, quando passamos por uma das maiores crises de desemprego da nossa história e agora com Michel Temer que passamos pela maior crise de desemprego da história com mais de 14 milhões de desempregados. O desemprego é o que gera todo o ciclo que estamos vivendo no momento. Está mais do que provado que o neoliberalismo só leva a esse mal, pois o neoliberalismo busca o máximo lucro do mercado e esse resultado só é possível quando se tem uma grande quantidade de mão de obra disponível pelo alto índice de desempregos, que tende a reduzir os custos do trabalho, ou seja, os salários dos trabalhadores e, em tese, o aumento dos lucros do mercado.

Para mim já ficou claro que o neoliberalismo só traz prejuízos para a maioria da população e diferentemente do que pensa a classe média para ela também. Uma vez que o desemprego aumenta a sua renda tende a diminuir, pois as pessoas não terão condições de pagar aluguéis, por produtos, que normalmente é a classe média que coloca no mercado, para consumo dos mais pobres. O que a classe média ainda não percebeu é que ela depende da classe mais humilde do país, pois esses são o seu mercado consumidor, e que quando esses trabalhadores perdem seus empregos ou os seus salários são reduzidos, esses não consomem ou diminuem o seu consumo, gerando uma perda de demanda pelos produtos negociados pela classe média. Por exemplo, na deflação apresentada nessa semana, a queda dos preços se deu principalmente devido a queda nos valores da habitação, qual é o grupo que possui o maior número de casas para alugar do país? Exatamente a classe média que hoje sofre com o desemprego das classes subalternas e não conseguem mais alugar os seus imóveis desocupados por não ter demanda nessa área.

O único meio de mudar esse ciclo vicioso recessivo é buscar uma política expansionista, parecida com a adotada por Lula a partir de 2006 e que trouxe os melhores resultados da história do país. Uma política extensionista progressista é uma política que aumenta os investimentos do Estado, aumenta o crédito, estimula o consumo interno, movimenta a economia, consequentemente reduz o desemprego, aumenta-se os salários e consequentemente a massa salarial, gerando um ciclo vicioso progressista e não regressista como estamos vendo agora. 

O dia em que a classe média perceber que a política do ganha ganha é melhor do que a política do eu ganho e os trabalhadores perdem, talvez o nosso país possa se tornar um país melhor para se viver e um país efetivamente de todos e não apenas de uma minoria. Mas isso só é possível se a população der forças políticas para partidos que tem uma visão progressista, que são exatamente os partidos de esquerda. Ao votar nesses partidos para cargos majoritários e do congresso estamos incentivando o investimento em políticas públicas, em empregos, em uma economia mais forte e robusta. 

Anderson Silva

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