sábado, 29 de julho de 2017

O deficit histórico das contas públicas do Brasil governado por Temer

Quando houve a ruptura institucional foi dito por diversos estudiosos que: "o governo é provisório, mas o estrago é permanente". Eles estavam cobertos de razão. Pelo resto da história do nosso país os reflexos desse governo serão sentidos pela população. Ademais, esses rombos nas contas públicas causados por Michel Temer, certamente, trarão muitos problemas aos brasileiros pelas próximas décadas.


Antes da saída da presidente eleita Dilma Rousseff o que diziam sobre o seu governo era que o Estado gastava demais e o país iria quebrar se continuasse no rumo em que estávamos seguindo de despesas muito superiores as receitas. Ainda em 2015, todas as previsões realizadas pelo governo e instituições financeiras do setor privado, antes da saída da presidente, demonstravam que o Brasil sairia do período de recessão já no segundo semestre de 2016 ou no mais tardar no decorrer do ano de 2017, já com a perspectiva de superavit das contas públicas e crescimento do PIB para o ano atual.

O que houve de errado? Assim que Michel Temer assumiu o poder começou a cortar investimentos e créditos das nossas empresas retirando recursos do BNDS, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, isso para potencializar a atuação dos bancos privados que foram os grandes financiadores da derrubada da presidente eleita. Essas ações foram tomadas em articulação com outras decisões de cunho neoliberal, adotadas pelo seu Ministro da Fazenda Henrique Meireles, como redução dos investimentos governamentais através da PEC 241, contingenciamento de recursos do PAC, entre outras ações visando reduzir os recursos investidos pelo Estado.

As promessas eram que essas ações retomariam a confiança dos investidores que potencializariam industria nacional, gerando empregos e aumentando a atividade econômica, fazendo com que a arrecadação Estatal aumentasse e o país voltasse a ter crescimento econômico e superavit em suas contas. Eles esqueceram apenas de combinar tudo isso com os empresários nacionais e internacionais. 

Um país para ter a confiança do mercado precisa ter estabilidade financeira, social, política e jurídica, tudo que o Brasil perdeu nesses últimos anos. Financeiramente o Brasil vinha bem até que as manifestações de julho de 2013 instaurassem uma crise geral no país reduzindo abruptamente a popularidade da então presidente Dilma. Como o mundo passava por uma crise financeira e a China principal importadora do Brasil teve um crescimento abaixo do esperado, nesse ano, o valor das commodities, minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas, caiu muito, fazendo com que o Brasil perdesse boa parte dos seus lucros através das exportações. No ano seguinte houve uma forte seca no Brasil aumentando muito os gastos do governo, especialmente, com energia elétrica e isso gerou forte impacto nas nossas finanças que já não estivam muito bem, mesmo antes das primeiras tentativas de ruptura institucional. Em 2015 a crise política deixou o país parado por alguns meses, fazendo com que o governo tivesse que reduzir os seus investimentos o que impactou muito na sua arrecadação, que já havia diminuído muito, devido ás principais empresas nacionais estarem sendo investigadas pela Lava Jato.

No campo social as mobilizações de julho de 2013 balançaram o Brasil, que até então estava estável nessa área. Depois desse período houve foi uma polarização de grupos da sociedade de visão a direita e a esquerda, o que não se estabilizou mais nos anos seguintes, culminando em 2016 com a queda da presidente Dilma Rousseff. A política é completamente influenciada pela estabilidade social e financeira de um país, que não vinha bem. Ainda quando Dilma assumiu Eduardo Cunha e os políticos de oposição faziam de tudo para atrapalhar os planos da presidente na economia e após a sua queda, com Temer no poder colocando diversos Ministros investigados pela Lava Jato, a cada mês um deles era derrubado por estar envolvido em corrupção e, assim, a instabilidade política ficou ainda mais intensa após a mudança de governo que continuou sofrendo com as ações da Lava Jato. 

Juridicamente o que se viu foi ainda mais grave, a Lava Jato destruiu boa parte da nossa indústria de construção pesada, influenciou fortemente nas eleições de 2016 e atua de forma extremamente política, inclusive divulgando áudios da então presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, sem autorização de órgãos competentes para tal. Como confiar nas instituições em um país assim? Se você fosse investidor estrangeiro você investiria em um país em meio a essa bagunça institucional?

Sem investimentos públicos os empresários brasileiros também não investem, pois os seus recursos, quando aplicados na especulação financeira, bolsa de valores ou títulos da dívida pública que, no Brasil são os mais lucrativos do mundo, tendem a render mais do que investimentos no setor produtivo. Assim, o que se viu após essa redução de investimentos governamentais, em conjunto com Lava Jato que afetou drasticamente as nossas principais empresas, foi uma queda abrupta de empregos, que teve recorde histórico nos últimos meses, com mais de 14 milhões de desempregados, trazendo como resultados uma queda nossa atividade econômica, na arrecadação estatal e consequentemente o maior deficit primário da nossa história no primeiro semestre de 2017.

Para se ter uma ideia do tamanho do rombo nas contas públicas brasileiras nesse ano, o deficit primário foi de R$ 56 bilhões de reais, valor superior ao do ano passado em quase R$ 20 bilhões de reais, sendo que no ano de 2016 estávamos passando pelo processo de Impeachment de uma presidente o que certamente trouxe insegurança para os investidores, afetando fortemente a arrecadação governamental. Lembro a vocês ainda, que a proposta da Dilma para o Ano de 2016 era de um deficit de 30,5 bilhões no início do ano de 2016 o que causou um profundo estardalhaço da mídia a respeito do tema, dizendo que o Brasil com essa meta estava caminhando rumo ao abismo. A meta de Michel Temer foi aumentada para 170 bilhões meses após, quando a presidente Dilma foi retirada do cargo, sem maiores comentários negativos da mídia.

Porque o governo insiste em seguir esse caminho econômico? Esse governo foi colocado pelos grandes empresário, banqueiros e investidores, que continuam lucrando com a crise. O lucro desses grupos vem em detrimento da piora das condições de vida de toda a população brasileira, mas isso não importa aos nossos governantes representantes desses capitalistas. Fica claro que a população não é levada em consideração pela maioria dos nossos congressistas atuais, quando Michel Temer, mesmo com a popularidade que possui, a menor da história, de apenas 5% da população, tem apoio total e irrestrito de alguns dos principais partidos do país no Congresso Nacional sendo eles: o PMDB, PSDB, DEM e PP. Esses partidos representam os interesses das classes dominantes do país e enquanto estiverem dominando as nossas casas legislativas sempre defenderão esses grupos em detrimento do futuro do nosso povo e da nação brasileira.

Como mudar de rumo, se a maioria da população já entende que o Brasil está no caminho errado? Segundo uma pesquisa realizada pela empresa Ipsos 95% da população brasileira acha que o Brasil está no caminho errado. Se o caminho está errado, isso se dá porque a população não está vendo os seus interesses representados, principalmente, pela classe política. E como a representação popular conferida pela Constituição está na Câmara dos Deputados o foco de mudança por parte da população deve ser no parlamento.

Historicamente as nossas casas legislativas tinham como principais representantes empresários, grandes latifundiários e agora bancadas religiosas. Esses políticos das casas legislativas, são os maiores responsáveis pelos caminhos do país, já que são eles que decidem todas as pautas de votação e quais as leis serão aprovadas no país, incluindo, o seu orçamento. Mas, no momento das eleições o foco é colocado sempre no executivo deixando os parlamentares para segundo plano. Se queremos mesmo mudar o Brasil é essa concepção é que temos que mudar. Tanto o executivo quando o legislativo é fundamental para mudar a nossa política, portanto, nós eleitores temos que aprender a votar em partidos que representam os verdadeiros interesses da maioria tantos nas eleições majoritárias quanto nas proporcionais.

Como exemplo de como ter um legislativo ruim pode impactar nas nossas vidas, Michel Temer mesmo depois de cometer todos os delitos que cometeu com comprovações trazidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, pode não ser sequer investigado, porque os nossos representantes na Câmara dos Deputados não representam os nossos interesses e sim apenas aos interesses deles próprios. A compra de deputados aqui no Brasil hoje ocorre a céu aberto, não se tem mais vergonha de ser comprado perante a toda a população. Onde está o pragmatismo político dos nossos representantes? Deixou de existir quando tiveram certeza que o povo não os acompanha e que eles, em tese, não dependem do povo para serem eleitos.

Portanto, a única forma de mudar os rumos do nosso país é colocarmos um grande número de pessoas que pertencem a sociedade real nas nossas casas legislativas. A população precisa se organizar para se fazer representada nos espaços políticos ou as nossas vidas continuarão a ser gerenciadas por pessoas que não levam o povo em consideração nos momentos das discussões mais importantes do país. Cabe ao povo buscar representantes dos movimentos sociais, sindicais, representantes dos trabalhadores, dos estudantes e dos movimentos ligados a população para nos representar nesses espaços políticos. Fazendo essa mudança, certamente, o Congresso Nacional deixará de ser uma das instituições menos confiáveis do país, a corrupção tenderá a reduzir muito e o povo terá a chance de melhorar as suas condições de vida.

O momento é oportuno para que a população perceba aqueles políticos e partidos que estão ao seu lado e os que defendem apenas os interesses dos empresários e dos corruptos comprovados que dominam a nossa política. Cabe a nós buscarmos estratégias e nos organizarmos para dizimar esses partidos que votam insistentemente contra o povo das nossas casas legislativas e preencher esses espaços com pessoas que representam realmente os interesses do povo. Só assim mudaremos o Brasil.

Anderson Silva

Leia mais em: PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA DE SERVIDORES PÚBLICOS. QUAL O RESULTADO DESSA PROPOSTA?
Link: http://andersonsilvaesociedade.blogspot.com.br/2017/07/programa-de-demissao-voluntaria-de.html