sábado, 1 de julho de 2017

A justiça brasileira tem lado. É o contrário ao do povo.

Enquanto o povo clama por justiça em um momento que o país se mostra atolado em corrupção, diga se de passagem, por anuência durante séculos da própria justiça, o que se vê do STF é um conjunto de decisões que visam beneficiar o que há de mais corrupto em nosso sistema político. A liberação de Aecio para atuar no Senado contrasta totalmente com a ação que prendeu o então Senador Delcídio do Amaral. Contra Aecio do PSDB há provas robusta, contra Delcídio, naquele momento, do PT, apenas ilações, um foi preso o outro retorna ao Senado como se nada houvesse ocorrido.


Pergunto aos leitores, qual o fato novo que surgiu nos últimos dias para libertar Andréia Neves e Daniel, a irmã e o primo do Senador Aécio Neves, esse último, que pegou uma mala da JBS cheia de dinheiro para o Senador? Talvez a possibilidade de os dois delatarem o que sabem se continuassem presos por mais algum tempo. Qual o fato novo que surgiu para libertar Rocha Loures, assessor especial de Temer que foi preso com uma mala de 500 mil reais que seria repassado para o presidente? Talvez a possibilidade dele depois de preso por algum tempo delatar o que sabia sobre o esquema.

Essa é a justiça do nosso país. Justiça que prende negros, pobres e moradores de periferia, mas que juntamente com a sua polícia e o Ministério Público não conseguem identificar de quem é um helicóptero com uma enorme quantidade de cocaína, não consegue identificar de quem é um avião que partiu da fazenda do Ministro da Agricultura também abarrotado de cocaína, e não consegue investigar e punir com seriedade aqueles que não são pobres, das periferias, ou ligados aos partidos de esquerda do país que, muitas vezes, são condenados sem nenhuma prova. 

Aos defensores da Lava Jato eu digo apenas que nada disso me surpreende. Desde que essa operação começou a fazer vazamentos seletivos tentando incriminar exclusivamente o PT e a esquerda nacional eu já sabia que ela não entregaria o que prometia, que era uma moralização do nosso sistema político. Moralização só pode vir com justiça algo que na nossa história nunca tivemos e com essas decisões e ações dos últimos tempos isso para mim e para o restante da população brasileira com o mínimo de noção, também já se torna claro.

Portanto, está cada vez mais claro que a Lava Jato serviu apenas para destituir uma presidente eleita democraticamente e colocar no seu lugar o grupo político mais corrupto do Brasil para comandar o país em um grande Acordo Nacional, segundo Romero Jucá, com Supremo e tudo. O objetivo sempre foi condenar o PT as esquerdas e qualquer esperança de desenvolvimento social do Brasil, porque, até então, era isso que o PT representava na mente das pessoas pobres desse país. A esperança de se ter um país grande, forte e sem pobreza. 

A Lava Jato acabou com a nossa economia, destruiu os empregos do nosso país, levou a nossa política nacional a situação em que se encontra, tirou do país o respeito que tínhamos internacionalmente, hoje ao visitar outros países somos tratados como país de quinta categoria, soltou todos os corruptos através de acordo de delações premiadas, sendo os principais deles, Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, dentre outros que encontram-se todos em suas casas de luxo em prisão domiciliar, casas essas construídas com o dinheiro roubado dos brasileiros que foram devolvidos em quantidades mínimas. 

Enquanto isso os ex-políticos ligados ao PT continuam presos em Curitiba, muitos deles sem nenhuma prova. João Vacari, por exemplo, foi absolvido na semana passada pelo TRF por não haver nenhuma prova de que cometeu qualquer crime e mesmo assim foi condenado por Sérgio Moro e continua preso através de uma ação do juiz permitida por lei, mas, incomum de manter prisão preventiva de alguém absolvido em segunda instância. Vacari está a dois anos preso, sendo forçado a fazer uma delação contra Lula, o político a ser destruído pela operação desde o início. Antônio Palocci está na mesma situação, foi condenado por Moro na semana passada a 12 anos de prisão, também sem nenhuma prova, apenas a partir de delações premiadas de executivos que antes tinham que delatar alguém do PT para que as suas delações fossem aceitas pelo Ministério Público. 

E por fim, agora Lula pode ser condenado pelo juiz Sergio Moro também sem nenhuma prova, pois, isso é parte do acordo e dos objetivos dessa operação que levou o Brasil ao caos institucional que estamos agora, com 14 milhões de desempregados e sem perspectivas de um futuro melhor para uma nação de mais de 200 milhões de habitantes. 

Perdemos uma chance real e histórica de moralizar o nosso país e trazer justiça a essa nação. Nos outros países quando ocorre escândalos de corrupção o que se faz é prender os seus executivos das empresas, mantendo a marca das empresas e as ações delas no mercado, pois os juízes e a justiça de forma geral, sabem que empresas geram empregos e recursos para as suas nações, e que caso a justiça destrua essas empresas, quem sofrerá as consequências é o povo. Mas aqui no Brasil os nossos representantes do judiciário se acham tão acima da lei que preferem destruir as empresas e libertar os seus empresários, desde que ele diga algo em suas delações contra os desafetos políticos desses representantes da justiça, trazendo instabilidade total ao país, para derrubar uma presidente democraticamente eleita, atuando esses juízes a a margem do que manda a Lei e a Constituição.

Assim o nosso país caminha para um abismo que parece não ter fim. Os brasileiros não confiam mais em nenhuma de suas instituições, e se um estado é formado através delas, o que será do Estado brasileiro a partir de agora? Não sei. O que sei é que os representantes do mais alto escalão desse país em seus três poderes, são uns irresponsáveis por deixar o nosso país chegar a situação atual, pois não pensam em nenhum momento no povo em que deveriam representar, ou em se tratando de  justiça, no cumprimento e respeito da Lei, que deveria ser a busca fundamental dos poderes legislativo, executivo e judiciário. E o povo, de forma real onde fica nessa história? Fica a margem pois as nossas instituições são claramente anti-povo. Cabe ao povo ser anti-instituições na sua concepção atual e há uma única forma de fazer isso, de forma pacífica e democrática, é acabando com seus planos e votando em presidente, deputados e senadores contrários a essa oligarquia que domina o nosso país através da corrupção desde que o Brasil é Brasil.

Anderson Silva